Dois mil e lá vai pedrada.
16/17.
Você é frustrante.
Do jeito bom.
Sim, dá pra ser.
Mais ou menos assim:
Morreu gente demais.
Às vezes, uma que era várias.
Noutras, foi um monte de gente junta.
Essas, ao menos, não vão se sentir deslocadas no lugar novo.
Teve gente que mandou.
Teve gente que aceitou e outras que não.
Teve outras que fizeram desmandos.
E aí, me parece, estamos deixando de aceitar.
Um monte de gente perdeu a rubrica na carteira.
Dessas, algumas assinaram outras depois.
Francamente, senhor zero dezesseis.
Com a liberdade de um ano juntos.
Todo mundo pediu pra você sair.
Eu não.
Me deu preguiça.
Não fui às ruas.
Aliás, fui em outubro.
E fui por obrigação.
Pela lei e pelos laços mais fortes.
Minha carteira ainda tá rubricada.
Lá em casa, tudo no script.
No novo, mas isso não é coisa sua.
Meus amigos continuam do lado de sempre.
Agora eu tenho até minha própria família.
A que eu sempre quis.
Somos dois por enquanto.
Isso eu cobro do zerodezessete.
Mas você lá vai de forma frustrante, 016.
É que eu queria reclamar também.
Mas não posso.
Isso é ser frustrante.
Do jeito bom.
:)


Era mais fácil se ficasse como estava.
Sou metódico, entenda.
Chato mesmo.
Gosto das coisas nos seus lugares.
Você já tinha um lugar.
E demorou pra achar esse canto pra você.
Outro canto que não o de sempre, você sabe.
Enfim.
Tudo no lugar que deveria.                                                  
Sou metódico, já disse.
O conforto da organização me faz um bem danado.
Acalma mesmo, sabe?
Mas teve aquele furacão.
Domingo.
Teve gente voando.
Bicho voando.
Casa voando.
Eu voando.
Não me importei com as gentes que voaram.
Nem com os bichos que voaram.
Ou com as casas.
Nem mesmo comigo voando eu me importei.
O problema, mesmo, foi quando passou.
O problema, mesmo, foi que não passou.
Você saiu do lugar.
Destampou a caixa.
Bicho voando.
Casa voando.
Eu voando.
Você, furacão.
E eu te amo.
Minha esposa.


Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.
Quem trabalha ou trabalhou aqui sabe como é.
Como tudo na vida, ele tem seus altos e baixos.
Como tudo na vida, de vez em quando faz a gente parar pra pensar.
Na verdade, ele que para e a gente que pensa:
Jesus, Maria e José!
Como tudo na vida, no elevador da Casasanto tem gente legal.
E a gente cansada do primeiro andar.
E já que a gente é uma agência legal.
Ele também me faz lembrar um título do Mohallem:
Camisa é como elevador: pra subir, basta escolher os botões certos.
Feita a homenagem, volto ao assunto principal.
Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.
Porque ele lembra a vida da gente.
E por um detalhe que faz toda a diferença.
Às vezes, ele muda de opinião.
Juro.
Às vezes, você está no térreo e aperta para subir.
Ele chega e a moça da caixa de som diz:
Elevador descendo.
Ok, vamos passear na garagem, você pensa.
Então, instantes antes de a porta se fechar.
A moça da caixa de som decide não mais visitar a garagem.
Elevador subindo, ela solta, toda cheia de si.
Ela mudou de opinião e te deixou felizão.
Nessas redes onde todo mundo pensa diferente.
E, pasmem, onde todo mundo tá certo.
Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.


Ela ganhou, foguetes.
Pareciam tiros.
Ela perdeu, panelas.
Lembram canecas roçando grades.
Faz sentido.
Primeiro, o assalto.
Depois, o motim.
De cá, sigo eu.
Uma soma dos dois lados.
Roubado e preso.
Tudo mais do mesmo.
Tudo mais ou menos igual.
E ainda dizem que eu morrerei no final.


Acabamento final.
Ganhar de graça.
General do Exército.
Há muitos anos atrás.
Hábitat natural.
Bonita caligrafia.
Canja de galinha.
Labaredas de fogo.
Conclusão final.
Consenso geral.
Metades iguais.
Conviver junto.
Monopólio exclusivo.
Panorama geral.
Países do mundo.
Pequenos detalhes.
Descer para baixo.
Prefeitura Municipal.
Elo de ligação.
Encarar de frente.
Sair fora.
Subir para cima.
Fato verídico.
Surpresa inesperada.
Eu te amo.


Almoçava tranquilamente.
O de sempre, às quartas.
Salmão, purê de batatas e umas folhas.
Sete ou oito mesas ocupadas.
Pouca gente, mas normal para o horário.
O relógio marcava 13h33.
Às 13h34...
BUM, mas BUM MESMO!
Ensurdecedor.
Amedrontador mesmo.
Principalmente nestes tempos.
Onde EI não tem relação com OI.
Enfim, instaurou-se o caos.
Funcionários o clientes para fora.
Vizinhos vinham às janelas.
Carros chegavam a reduzir a velocidade.
Juro: até um cachorro veio cheirar a situação.
Ele era o ponto fora da curva.
Tranquilo, não sem uma taquicardia rápida.
Mas lembrou de tomar o remédio naquela manhã.
Providencial.
Funcionário antigo do restaurante.
Muito antigo na vida também.
O Barulho continuava.
O cheiro, muito forte, se espalhava.
O rapaz do caixa, incrédulo, notou.
O rapaz do caixa, incrédulo, perguntou.
- Vai ficar aí?
- Vou.
- Não vai ajudar?
- Vou.
- Então levanta!
- 5 minutos.
5 minutos, foi o que ele disse.
As pessoas voltaram para os seus lugares.
Alguns voltaram aos seus pratos pela metade.
Outros pediram a conta.
Não sem antes tomar aquele cafezinho.
A vida, enfim, voltou ao normal.
O rapaz do caixa, incrédulo, perguntou.
- O que você fez?
- O mesmo que você, todo dia.
- Como assim?
- Você sabe. Aquilo que você faz quando vê um mendigo na rua.
- Agora embaralhou foi tudo.
- Eu não fiz nada. Como todo mundo, me acostumei.
- Acostumou?
- Cala a boca. Escute.
O barulho continuava.
Talvez ainda mais forte do que antes.
Mas ele sabia, velho de casa que era.
Em 5 minutos, no máximo.
Ninguém mais ia se incomodar.
Todo mundo preferia almoçar, afinal.
Engolir.
A gente se acostumou com gente na rua.
Um BUM.
Mesmo que seja um BUM MESMO.
Perto disso, é silêncio.
Agora come.
De boca fechada.

Você é um GIF.
Não digo que você seja repetitiva.
Nem que você seja engraçada.
Mesmo que seja também.
É mais do que isso.
Explico.
Dia desses fui surpreendido por uma imagem desse tipo.
Corta para o GIF.
Era um simples caixa eletrônico com problema na tela.
Na parte de demonstrar onde inserir o cartão, a animação em 3D tremia muito.
A pessoa que fez o GIF entra em cena, seguindo a orientação à risca.
A mão, em primeiro plano, treme muito também.
A cena se repete eternamente.
Corta para a explicação.
Acontece que seria uma cena banal.
Acontece que, agora, não é mais.
Acontece que, agora, pra mim, você é um GIF.
Não digo que você seja repetitiva.
Nem que você seja engraçada.
Mesmo que seja também.
É mais do que isso.
É que você ressignifica as coisas diárias.
Essas sim, repetitivas.
A banalidade não é mais banal.
A banalidade agora é legal.
E aí não tem problema.
Podemos repetir.
Dia após dia. 
De novo.


Vou encarar isso aqui como uma carta sem remetente.
Ou de mim pra mim mesmo.
Pra mim fica melhor assim.
“Melhor assim...”
Vai de alma.
Vai como sair.
Não me entenda mal.
Porque é como se fosse eu mesmo.
Escrita, cara.
Jeito, cara.
Cara, cara!
Basta olhar, meu caro.
Cá entre nós, chega, né?
Aprendi já.
Aprendemos.
Faltou o tchau.
E a bênção.
Ficou por dizer.
Atrasado de novo?
A gente espera.
Nos acostumamos.
- Take your time, Daddy.
- Yes, Darling.
Por favor, não me entenda mal.
Aliás, até que não seria mal.
Entenda como quiser.
Mas entenda.
Amteo.
Teoma.
Ameto.
Você decide.
Desde que entenda.
Te amo.


Bem-vinda ao meu mundo, parte de cima.
Vocês, que são aí de cima, quando aqui olham para baixo.
Eu, daqui, olho vocês pra cima.
Não de cima.
Engraçado.
Só puxando assunto mesmo.
Enfim, o papo aqui é outro.
Gostaria de agradecer.
Ôxi, e por que não?
Obrigado por receber os meus.
Obrigado pela acolhida a mim.
E, cá entre nós.
Te odeio por ambas as coisas também.
Pelos meus, porque não voltaram mais pra mim.
Por mim, porque não volto o suficiente praí.
Nunca será suficiente.
Obrigado pelos autores que invejo.
Pelas praias que idem.
Pela música que me mexe.
Essa já deu caldo até por aqui.
Falando nisso, valeu também pela comida.
Reparou a intimidade, Nordeste?
Um pouco forçada, admito.
Mas assim a gente fica mais próximo.
Você de mim.
Eu, dos meus.
A geografia que me desculpe.
Mas obrigado, também, por ser um norte.
Destino certo.
Dos que eu amo.
Obrigado.
Nordeste.
Daquele.
Da gente.