Eu não gosto de manga.
O gosto é ok.
Só ok.
Mas a textura é ruim.
Manga tem pelos.
A cor é legal.
Amarelão e tal.
É cor que abre o apetite.
Junto com vermelho, em teoria, amarelo dá fome.
Só que sem o vermelho, é só manga.
Uma fruta.
E fruta não dá fome.
Numa boa.
Fruta é gostoso.
Mas é mais pra ressaca.
Ou pra dieta.
Manga não.
Manga tem pelos.
Pelos!
Mas minha mãe ama.
E faz tempo que não vejo minha mãe chupar manga.
É que eu casei.
E gosto de ficar em casa.
Até demais talvez.
Aí, ontem, eu recomi manga.
E sorri.
- É porque você cresceu.
- O paladar muda.
- Comigo também foi assim.
Opiniões.
Erradas.
Eu ainda não gosto de manga.
Mas essa foi minha mãe quem temperou.
Lembrei de você, Manina.
E amor dá mais fome que amarelo com vermelho.
Te amo, boba.


Se fosse tudo como eu queria, talvez eu não te daria um beijo hoje.
Se fosse tudo como eu queria, de repente nem te conhecer eu conheceria.
Entenda, meu amor:
Se fosse tudo como eu queria, você ainda estaria lá.
Porque seu pai estaria lá também.
E aí, de repente, você não estaria aqui.
Não teria saído de lá, sabe?
Eu sei que isso te faria mais feliz.
E a sua felicidade é só o que eu desejo, Sá.
Mais do que a gente.
Juro.
Eu preferia não ter te conhecido.
Se o seu sorriso fosse maior
Mas.
O destino quis assim.
E o seu sorriso é do meu tamanho.
E agora é assim que é.
A nossa família.
A família que nós escolhemos ter.
Criar.
Pequena demais, talvez.
Pequena demais ainda.
Ainda.
Antecipo:
Te amamos.
Depois a gente vê quem.
Feliz dia dos namorados.


Ganhou na loteria.
Sentiu-se importante.
Decidiu que não queria dividir o prêmio.
Não com todo mundo.
Só com quem merecesse muito.
Morreria então.
Teria direito à sua amizade quem chorasse por 6 meses.
No mínimo.
Avaliaria pelas redes.
Quem deu like e quem deu dislike.
Nesse caso, #PartiuMorrer.
Um terreno em Jaburaçu do Norte, um carro caro, um computador com internet e perna pra quem tem.
200 km pra dentro do nada em busca da sua da verdade de rico.
Morreu.
Dado como morto é morto também.
Dali, começou a avaliar geral.
Todo e qualquer comentário no face.
Que não contemplava Rita.
Que choraria mais de 6 meses.
E que não tinha face.
Só fáce.
As pessoas choraram, enfim
Só pararam rápido demais.
Todas, absolutamente todas, desmerecedoras dele.
Entristeceu-se, mas alegrou-se também.
Fortuna indivisível.
Amigos novos seriam feitos dali em diante.
A ressureição seria anunciada.
Seria.
Não foi.
Pegou o carro.
Deu ré.
Caiu no rio.
O carro acabou.
Ele, quase.
Arrastou-se pra casa.
Machucado demais.
E era Jaburaçu do Norte.
200 Km pra dentro do nada.
Ninguém vivia ali.
Só quem queria avaliar as amizades.
Carro e computador no rio.
Morreria de verdade, afinal.
Cercado de todos que eram merecedores.
Ninguém.
Todos, menos Rita.
Que ainda chora.
Matemática simples.
Nada menos um:
Menos um.


Olha.
Não estou começando assunto.
Olha, nesse caso, é de olhar mesmo.
Porque eu já não consigo olhar direito.
Na verdade, quase nada.
Olha, mulher.
Mulheres.
Marina, Maria e Gilca.
Olha, agora sim, puxando assunto.
Vou falar.
Aliás, preciso.
Obrigados, com S mesmo.
Somos três, afinal.
Tem aquilo de “por trás de todo grande homem”.
Bla bla bla...
Ditado errado.
Os maiores, hoje, têm vocês à frente.
Marina, Maria e Gilca.
Olha.
Olhem.
Agora pra falar.
Olho no olho.
Que bom ver através dos seus caminhos.       
Olha.
Olhem.
Te amo.
Amamos.
Viu?


Agora todo mundo vem julgar.
- Um ano, cê tinha que ter ido lá.
Pobre dele, nem pôde falar.
- Mas se foi ele mesmo quem disse e ainda mandou eu guardar.
- Cala a boca e vá se deitar.
Restava lamentar.
E recordar.
Moleque, é seu irmão quem tá lá.
Você não, você é pra estudar.
Era o pacto, tinha que rolar.
Pai, deixa comigo, cê vai se orgulhar.
Tá bom, agora vai brincar.
Era o cara pra espelhar.
Aí deram uma coisa pra levar.
Era amigo, juro, o Josimar.
Mas Ele viu e veio xingar.
Depois, foi lá enfrentar.
Acontece que tinha eles entre cá e lá.
Gente paga pra revistar.
E aí, amigo, tinha coisa pra encontrar.
- Algema e pode levar.
- Pai, cê vai voltar?
- Cê lembra o que era pra guardar?
- "É lugar de sair, não de entrar"
Entrou ele.
Nunca mais voltou.
Nem a rima.


Dois mil e lá vai pedrada.
16/17.
Você é frustrante.
Do jeito bom.
Sim, dá pra ser.
Mais ou menos assim:
Morreu gente demais.
Às vezes, uma que era várias.
Noutras, foi um monte de gente junta.
Essas, ao menos, não vão se sentir deslocadas no lugar novo.
Teve gente que mandou.
Teve gente que aceitou e outras que não.
Teve outras que fizeram desmandos.
E aí, me parece, estamos deixando de aceitar.
Um monte de gente perdeu a rubrica na carteira.
Dessas, algumas assinaram outras depois.
Francamente, senhor zero dezesseis.
Com a liberdade de um ano juntos.
Todo mundo pediu pra você sair.
Eu não.
Me deu preguiça.
Não fui às ruas.
Aliás, fui em outubro.
E fui por obrigação.
Pela lei e pelos laços mais fortes.
Minha carteira ainda tá rubricada.
Lá em casa, tudo no script.
No novo, mas isso não é coisa sua.
Meus amigos continuam do lado de sempre.
Agora eu tenho até minha própria família.
A que eu sempre quis.
Somos dois por enquanto.
Isso eu cobro do zerodezessete.
Mas você lá vai de forma frustrante, 016.
É que eu queria reclamar também.
Mas não posso.
Isso é ser frustrante.
Do jeito bom.
:)


Era mais fácil se ficasse como estava.
Sou metódico, entenda.
Chato mesmo.
Gosto das coisas nos seus lugares.
Você já tinha um lugar.
E demorou pra achar esse canto pra você.
Outro canto que não o de sempre, você sabe.
Enfim.
Tudo no lugar que deveria.                                                  
Sou metódico, já disse.
O conforto da organização me faz um bem danado.
Acalma mesmo, sabe?
Mas teve aquele furacão.
Domingo.
Teve gente voando.
Bicho voando.
Casa voando.
Eu voando.
Não me importei com as gentes que voaram.
Nem com os bichos que voaram.
Ou com as casas.
Nem mesmo comigo voando eu me importei.
O problema, mesmo, foi quando passou.
O problema, mesmo, foi que não passou.
Você saiu do lugar.
Destampou a caixa.
Bicho voando.
Casa voando.
Eu voando.
Você, furacão.
E eu te amo.
Minha esposa.


Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.
Quem trabalha ou trabalhou aqui sabe como é.
Como tudo na vida, ele tem seus altos e baixos.
Como tudo na vida, de vez em quando faz a gente parar pra pensar.
Na verdade, ele que para e a gente que pensa:
Jesus, Maria e José!
Como tudo na vida, no elevador da Casasanto tem gente legal.
E a gente cansada do primeiro andar.
E já que a gente é uma agência legal.
Ele também me faz lembrar um título do Mohallem:
Camisa é como elevador: pra subir, basta escolher os botões certos.
Feita a homenagem, volto ao assunto principal.
Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.
Porque ele lembra a vida da gente.
E por um detalhe que faz toda a diferença.
Às vezes, ele muda de opinião.
Juro.
Às vezes, você está no térreo e aperta para subir.
Ele chega e a moça da caixa de som diz:
Elevador descendo.
Ok, vamos passear na garagem, você pensa.
Então, instantes antes de a porta se fechar.
A moça da caixa de som decide não mais visitar a garagem.
Elevador subindo, ela solta, toda cheia de si.
Ela mudou de opinião e te deixou felizão.
Nessas redes onde todo mundo pensa diferente.
E, pasmem, onde todo mundo tá certo.
Procuram-se mais elevadores como os da Casasanto.


Ela ganhou, foguetes.
Pareciam tiros.
Ela perdeu, panelas.
Lembram canecas roçando grades.
Faz sentido.
Primeiro, o assalto.
Depois, o motim.
De cá, sigo eu.
Uma soma dos dois lados.
Roubado e preso.
Tudo mais do mesmo.
Tudo mais ou menos igual.
E ainda dizem que eu morrerei no final.